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2016 - Silvio Dutra, Rio de Janeiro, Brasil

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Portuguese

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24,500 words, Guess

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98 pages

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Paperback

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Religião cristã

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O Poder Real e Eficaz da Oração Silvio Dutra FEV/2016 A474 Alves, Silvio Dutra O poder real e eficaz da oração./ Silvio Dutra Alves. – Rio de Janeiro, 2016. 98p.; 14,8x21cm 1. Cristianismo. 2. Oração. 3. Fé. I. Título. CDD 217 Sumário Oração Para Quem Está em Desespero........ 4 Oração no Espírito.................................................. 9 A ti clamo, ó SENHOR.......................................... 11 A Oração de Jabez.................................................... 13 Sob a Figueira........................................................... 20 Oração.......................................................................... 24 “Começando a afundar, gritou, dizendo: Senhor, salva-me". (Mateus 14.30)................. 29 Clamor......................................................................... 31 Oração, Súplica e Intercessão......................... 34 Quando o Clamor se Faz Mais Necessário. 40 Salmo 119.35 – Comentado por Lutero........ 43 Oração de Adoração............................................. 44 Oração para Estes Últimos Dias...................... 46 Oração de Exaltação.............................................. 49 Oração para Ser Vivificado................................ 51 Oração de Confiança............................................ 53 Oração para Permanecer Firme..................... 56 Oração para Manter a Comunhão com Deus............................................................................... 58 Oração de Louvor e Gratidão........................... 59 A intimidade da Oração...................................... 61 Oração de um coração quebrantado............ 69 Derramando o Coração....................................... 71 Os Benefícios da Oração de Intercessão.... 74 Sobre a Oração......................................................... 83 Oração Para Quem Está em Desespero Há momentos na vida que podemos dizer juntamente com o apóstolo Paulo: “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos;” (II Cor 1.8) Então meu amado, minha amada, nós achamos na Bíblia este testemunho de que pessoas que foram muito amadas por Deus, passaram por momentos muito difíceis tal como eu e você já experimentamos, ou que ainda possamos estar vivendo. Mas, olhemos para o exemplo das vidas de um Paulo, de um rei Davi, de um profeta Jeremias, de um José no Egito, e de tantos outros. Olhemos para o exemplo deles, para fazer o mesmo que fizeram nestas horas difíceis de aflição: Eles olharam para Deus, e oraram, e contaram com as orações de seus irmãos, conforme vemos nas palavras de Paulo em II Cor 1. 9-11: “9 portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; 10 o qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará, 11 ajudando-nos também vós com orações por nós, para que, pela mercê que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito.” Juntemos então a nossa oração nesta hora, e busquemos no Senhor, força, socorro e livramento. “Pai amado, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, te peço: Dá-te pressa em socorre-me querido, porque minha alma se encontra enfraquecida e angustiada. Não há em mim mesmo força ou capacidade para vencer o mal que me aflige. Dá-me alívio e paz, e fortalece-me com a tua graça. Tu és o Deus fiel e verdadeiro que não pode mentir, que tem prometido nos livrar no dia da angústia, como dizes na Tua palavra: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. 2 Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio. 3 Porque ele te livra do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa. 4 Ele te cobre com as suas penas, e debaixo das suas asas encontras refúgio; a sua verdade é escudo e broquel. 5 Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voe de dia, 6 nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia. 7 Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atingido. 8 Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios. 9 Porquanto fizeste do Senhor o teu refúgio, e do Altíssimo a tua habitação, 10 nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. 11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. 12 Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra. 13 Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente. 14 Pois que tanto me amou, eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque ele conhece o meu nome. 15 Quando ele me invocar, eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, livrá-lo-ei, e o honrarei. 16 Com longevidade de dias fartá-lo-ei, e lhe mostrarei a minha salvação.” (Salmo 91) É verdade Senhor, o que é dito neste Salmo 91, porque nenhum dos que em ti confiaram foi abandonado ou ficou confundido, porque são muitas as tuas promessas de livramento, conforme a que lemos também no Salmo 50.15: “invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.” Então, estou invocando o teu nome Senhor, na minha angústia, na certeza de que me livrarás, e eu te glorificarei porque o Espírito Santo encherá o meu coração e lábios de louvores pelo teu livramento. Eis que espero tão somente em ti, porque é vão o socorro do homem. Confio no teu amor, na tua bondade, na tua misericórdia e na tua justiça. Eu te agradeço desde agora, e sempre darei graças ao teu santo nome, porque estou bem certo de que voltarás a alegrar o meu coração, e ainda te louvarei na congregação dos justos. Obrigado Pai amado pela Tua santa presença, que me fortalece e conforta. Obrigado por teu Filho amado Jesus Cristo, em nome de quem te oramos. Amém! Oração no Espírito A maior dificuldade para não poucos cristãos manterem a sua comunhão com Deus é porque oram pouco ou então não se esforçam para que a sua oração seja no Espírito Santo. Sabemos quando alguém está orando ou não no Espírito. E sabemos também, que na oração particular, não é fácil reservar tempo para orar, e muito mais para prevalecer orando até que a oração seja movida pelo Espírito Santo. Isto, porque a carne sempre resiste ao Espírito, e por conseguinte, procura nos impedir que oremos no Espírito. Assim, esta resistência da carne sempre deverá ser vencida pela nossa insistência em continuar orando, ainda que apenas com a nossa mente, até que sintamos a presença e o mover do Espírito em nossa oração. Daí termos a ordenança da parte de Deus de que oremos em todo o tempo, e que nossa oração, tal, como a nossa adoração, seja em Espírito e em verdade. Paulo afirma que não sabemos orar como convém, e que é o Espírito Santo que intercede através de nós. Assim, concluímos que, se não orarmos no Espírito Santo, não estaremos orando de fato, como Deus requer. A ti clamo, ó SENHOR “A ti clamo, ó SENHOR; rocha minha, não sejas surdo para comigo; para que não suceda, se te calares acerca de mim, seja eu semelhante aos que descem à cova.” (Salmo 28.1) Um clamor é a expressão natural de tristeza, e uma expressão adequada quando falham todas as demais formas de apelar, mas o clamor deve ser apenas dirigido ao Senhor, porque clamar ao homem é desperdiçar nossas súplicas ao vento. Quando consideramos a prontidão do Senhor para ouvir, e sua capacidade para ajudar, veremos uma boa razão para direcionar todos os nossos apelos ao Deus da nossa salvação. Será em vão clamar às rochas no dia do juízo, mas a nossa Rocha atende aos nossos clamores. "Não sejas surdo para comigo". Meros formalistas podem ficar contentes sem respostas às suas orações, mas suplicantes autênticos não podem ficar satisfeitos com os resultados da própria oração para acalmar a mente e subjugar a vontade - eles devem ir mais longe, e obter respostas reais do céu, ou não podem descansar; e quanto a essas respostas que eles desejam receber, temem até mesmo um pouco de silêncio de Deus. A voz de Deus é muitas vezes tão terrível que faz tremer o deserto, mas o seu silêncio é igualmente cheio de temor para um suplicante ansioso. Quando Deus parece fechar seu ouvido, nem por isso devemos fechar nossas bocas, mas sim clamar com mais seriedade, pois quando nosso tom cresce estridente com ânsia e dor, ele não nos negará por muito tempo uma audição. Que caso terrível seria se o Senhor ficasse sempre em silêncio às nossas orações? - “se te calares acerca de mim, seja eu semelhante aos que descem à cova.” Sem o Deus que responde à oração, ficamos numa situação mais lamentável que o morto na sepultura, e que em breve deverá se afundar no mesmo nível dos perdidos que descem ao inferno. Nós devemos ter respostas para a oração; o nosso caso é urgente, de extrema necessidade; certamente o Senhor falará de paz às nossas mentes agitadas, porque nunca poderá ser achado em seu coração, que ele permita que seus escolhidos pereçam. Tradução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, de um texto de Charles Haddon Spurgeon, em domínio público. A Oração de Jabez “Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.” (I Crôn 4.10) É notável a honra que Deus coloca na oração, e inúmeros são os casos que são registrados da sua eficácia. Jabez é aqui mencionado em um longo catálogo de nomes, mas enquanto os nomes de outras pessoas são apenas registrados, ele é particularmente notado: ele mesmo declarou ter sido mais honrado do que todos os seus irmãos, possivelmente esta distinção pode ter-lhe sido dada por conta de sua primogenitura, mas era certamente ainda mais devido em razão da sua piedade; como o patriarca Jacó, ele "lutou com Deus, e prevaleceu." I. A oração que ele ofereceu, 1. O objeto da mesma - seu sentido primário, evidentemente relacionado com bênçãos temporais. Deus havia prometido ao seu povo uma herança em Canaã, mas eles não foram capazes de expulsar os seus habitantes. Jabez portanto, consciente de sua insuficiência, orou a Deus por ajuda. Ele pediu a bênção de Deus sobre seus próprios esforços: ele pretendia ser preservado de perigos aos quais as suas façanhas militares o exporiam, e ter, através da intervenção divina, uma ampla herança na terra prometida. Ele fez essas petições com um apelo significativo e sincero. Quase todos os nomes hebraicos tinham algum significado peculiar. Jabez significa tristeza: o nome foi-lhe dado em memória de alguém, mas não há razão para se pensar que ele também tivesse um significado espiritual. A Canaã terrestre era típica do reino celestial. Os inimigos também que deveriam ser expulsos, eram típicos dos inimigos com os quais o cristão tem que contender. Além disso, a assistência, que Deus prestou ao seu povo, tinha a intenção de nos mostrar que ajuda podemos esperar dele. E que mal irá desaprovar um filho de Deus tanto como o pecado? Certamente nada é tão "grave" para ele como a prevalência da corrupção. Bem, portanto, pode ser considerado como Jabez olhou para além deste mundo e como implorou uma segura posse da sua herança celestial. 2 . A maneira pela qual ela foi oferecida É o sentimento, e não a expressão, que dá excelência à oração, mas em ambos os casos podemos observar isto diante de nós: Era humilde. Ele sentiu toda a sua dependência do poder e da graça de Deus. Isto é íntimo e não apenas petições oferecidas, mas na forma mesma em que foram oferecidas: "Oh que," etc. Essa humildade é absolutamente necessária para tornar a oração aceitável. Quanto mais nos humilharmos, mais Deus irá nos exaltar. Que isto seja lembrado em todos os nossos endereçamentos ao trono da graça. Foi inoportuno. Ele fez seu pedido com um apelo muito sincero. Nem, em referência ao pecado, poderia haver qualquer acusação mais apropriada para ele. Mas também podemos depreciar corretamente o pecado como "grave" para nossas almas. Sim, uma disposição para fazer isto é ao mesmo tempo uma prova de nossa sinceridade, e uma promessa da divina aceitação. Ele estava crendo. O título, pelo qual ele se dirigiu à Divindade, argumentou em favor da sua fé em Deus. Ele expressa uma confiança em Deus como o ouvinte da oração. É desta forma que também deveríamos nos aproximar da Divindade. Sem essa fé nossas petições terão pouco efeito, mas com isso, elas nunca serão em vão. A oração que possuía tais qualidades não poderia deixar de ter sucesso. II. O sucesso com que foi atendido Nós não temos nenhum relato detalhado da bondade de Deus para com ele, mas somos informados de que Deus concedeu dores incomuns à sua mãe durante o seu parto. “Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe chamou-lhe Jabez, dizendo: Porque com dores o dei à luz.” (I Crônicas 4.9) E foi em referência a isso que ele menosprezou os males a que ela foi exposta, "Guarda-me," para que eu não seja Jabez na minha experiência, bem como em meu nome. Isto nos mostra, 1 . Que devemos expor todos os nossos desejos diante de Deus em oração - Temos visto quão abrangente foi a oração de Jabez. E a nossa também deve incluir todas as nossas necessidades, temporais, espirituais e eternas. Não há nada tão grande, que não tenhamos a liberdade de lhe pedir, nem qualquer coisa tão pequena, mas é preciso reconhecer toda a nossa dependência de Deus para isto. Na verdade, não há nada grande ou pequeno, seja diante de Deus, ou em referência a nós mesmos: pois, como todas as coisas são facilmente iguais para ele, que formou o universo por sua palavra, e conta os cabelos de nossas cabeças, então não há nada, embora mínimo, que não prove ser possivelmente de extrema importância para nós, como cada parte do volume inspirado atesta. A direção de Deus para nós é: "Em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, sejam conhecidas as vossas petições diante de Deus." 2 . Devemos insistir em nossas petições com uma importunidade que não receberá nenhuma negação Assim como Jacó: "Eu não te deixarei ir, se não me abençoares." E assim deve ser conosco. Temos, em verdade, uma melhor súplica do que a que Jabez foi capaz de oferecer Podemos ir em nome de Jesus Cristo, e pleitear tudo o que ele fez ou sofreu por nós. Podemos olhar para ele como nosso Advogado com o Pai, que assegura tanto a aceitação de nossas pessoas quanto de nossas orações através de sua contínua mediação e intercessão sempre prevalecente. A conduta do rei Joás deve ser um aviso para nós. O Profeta Eliseu lhe disse que ele deveria ferir os sírios que tinham muito oprimido todo o povo de Israel, e lhe pediu para ferir a terra com as flechas que estavam em sua mão, e, para expressar por este meio os desejos e as expectativas que ele sentia em referência a este grande evento. O rei feriu o solo apenas três vezes, quando ele deveria ter ferido cinco ou seis vezes, e assim por sua própria falta de zelo conteve os esforços do Deus Todo-Poderoso em seu favor. E é assim que agimos. Se fôssemos mais sérios em nossos desejos, e muito mais profundos em nossas expectativas de Deus, não haveria limites para a misericórdia que Deus iria exercer em relação a nós. "Nós não estamos estreitados nele, mas em nossas próprias entranhas." Devemos sempre "abrir bem a nossa boca, para que ele a preencha." Podemos pedir o que quisermos e isto será feito por nós (João 14.13,14). 3. Devemos pedir com fé sem duvidar - A mente duvidosa vai nos roubar de todas as bênçãos, e fazer nossas orações mais urgentes de nenhum efeito (Tg 1.6,7). Devemos "crer não somente que Deus é galardoador dos que diligentemente o buscam." Sim, devemos “crer que o temos recebido, a fim de que possamos receber." E "de acordo com a nossa fé isto deve ser feito para nós." Na verdade, há uma espécie de onipotência da oração da fé, e, se assim posso dizer, o próprio Deus não pode, eu posso dizer com certeza, não vai rejeitá-la. Ele fala como ela tivesse um poder intrínseco operativo (Is 45.22). Naturalmente, esta ideia não deve ser incentivada muito longe, mas temos certeza de que, como Deus nunca o fez, então ele nunca vai, dizer a qualquer um dos filhos de Jacó, "Buscai o meu rosto em vão". APLICAÇÃO Existe então qualquer Jabez, qualquer filho da tristeza, aqui? Vá a Deus, o Deus de Israel, e diga: "Oh, que tu queiras me abençoar de fato! Deixe-me ser fortalecido por ti em todos os meus conflitos espirituais. Deixe meus inimigos, minhas corrupções residentes, serem mortas diante de mim. E deixe-me entrar na plena posse da Canaã celestial, onde descansarei de meus trabalhos, e serei feliz para sempre no seio do meu Deus." Então, irmãos, façam todos os seus pedidos chegarem com aceitação diante de Deus, e retornarem em bênçãos sobre vocês em toda a extensão das suas necessidades. Tradução e adaptação de um texto em domínio público, de Charles Simeon. Sob a Figueira No início do seu ministério, Cristo chamou a Filipe para segui-lo. Ao ser chamado Filipe foi em busca de Natanael para dizer-lhe que ele (Filipe) tinha encontrado a Cristo. Natanael foi um pouco duvidoso, mas a convite de Filipe foi vê-lo. Quando Jesus viu Natanael chegando, ele disse: "Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!" (nota do tradutor: sem dolo não porque não pecasse, mas porque era piedoso e um homem de oração cuja esperança estava na promessa da vinda do Messias para salvar os pecadores). Natanael, maravilhado como aquele homem lhe havia conhecido, perguntou: "De onde me conheces tu?" Jesus respondeu: "Quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi.", João 1.48. É evidente que algo tinha acontecido com Natanael debaixo da figueira fora dos detalhes comuns da vida diária. Se não havia algo bastante incomum ou algo maior do que os eventos comuns da vida ocorrido lá, o Salvador não teria mencionado este lugar particular. Havia nessa resposta algo que foi altamente significativo para Natanael. Nessa época, havia muitas pessoas devotas que procuravam a "consolação de Israel". Eles estavam esperando a vinda do Rei dos Judeus. Não é difícil para mim acreditar que Natanael estava debaixo da figueira orando a Deus para a rápida vinda do Messias. (nota do tradutor: o que provavelmente tenha sido o motivo de ter sido levado ao Senhor por Filipe, como para lhe mostrar que suas orações haviam sido ouvidas). Quando Jesus lhe disse: "Quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi", Natanael imediatamente respondeu: "Tu és o Rei de Israel." Ele estava, sem dúvida, sob a árvore em oração para este fim, não somente uma vez, mas muitas vezes, provavelmente por meses e talvez anos. Ele havia orado por isso mesmo. Ele havia escolhido uma figueira especial como um lugar para a oração. Não era uma figueira, mas a figueira. Lá, ele havia orado muito e muitas vezes para o rei de Israel vir. Assim, quando Jesus disse: "Quando tu estavas debaixo da figueira, eu te vi", ele soube imediatamente que suas reiteradas preces foram atendidas e, portanto, disse: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel." Muitos devotos desde aquele dia têm tido o seu local secreto de comunhão com Deus. Talvez fosse na floresta em um outeiro coberto de musgo, debaixo de um carvalho, num local gramado na margem de um córrego, ou debaixo de uma sombra de árvore que cresceu junto ao ribeiro no prado. Para estes lugares de silêncio solene que iriam recorrer quando as sombras da noite estavam caindo ou quando a luz da manhã estivesse riscando o céu, e lá a partir da plenitude de suas almas eles derramariam o seu louvor e gratidão a Deus. Estes eram os mais queridos lugares do mundo para eles. Pode ser que haja idosos hoje, que tiveram esses lugares nos primeiros dias de suas vidas. Embora eles já estejam longe desses cenários, estes ainda estão guardados de forma sagrada na memória. Há aqueles que hoje têm os seus altares de oração em algum lugar isolado. Lá, eles conhecem a Deus e lhe dizem todos os seus sofrimentos e cuidados, lá eles recorrem a ele e à sua benignidade, lá eles imploram a sua graça para sustentá-los em todas as suas situações difíceis da vida, e lá adoram a seus pés. Bendizei o seu nome! Amado, você tem a "figueira"? e você o tem encontrado sob ela frequentemente? Você tem um canto em algum lugar tranquilo, que seja santificado pela presença de Deus? O discípulo amado João, quando no Espírito, viu taças de ouro nas mãos dos adoradores do Cordeiro ao redor do trono. Estas taças de ouro, diz ele, estavam "cheias de incenso, que são as orações dos santos" (Apo 5.8). Você, caro leitor, todos os dias, enche taças de ouro ao redor do trono de Deus com o doce aroma da oração? Mais uma vez, este discípulo, quando o sétimo selo foi aberto, viu sete anjos que estavam diante de Deus, com sete trombetas. Depois veio outro anjo, com um incensário de ouro. A ele foi dado o incenso, que ele ofereceu com as orações dos santos no altar de ouro, e a fumaça do incenso com as orações dos santos subiu a Deus. (Veja Apo 8.3,4). Temos o privilégio de misturar nossas orações com o incenso que está sendo oferecido diante do trono. O salmista parecia compreender algo da natureza da oração, quando ele disse: "Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer de minhas mãos como oferenda vespertina.", Salmos 141.2. As orações que foram oferecidos pelo devoto Cornélio eram tão perfumadas diante de Deus que elas foram mantidas como um memorial diante dele. Um memorial é algo mantido em memória de qualquer um. Se você quer ser mantido em memória diante de Deus, veja que suas orações estejam altamente impregnadas com um doce aroma. Você deve orar ou morrer. Ninguém pode manter a vida espiritual por qualquer grande período de tempo, sem oração. Por isso, exorto-vos a uma vida de oração. Tradução feita pelo Pr Silvio Dutra de um texto de James Orr. Oração Num trabalho desta natureza seria imperdoável nada dizer sobre a oração, porque quem pode viver a vida de modo vitorioso, sem oração? Quem pode avaliar corretamente o verdadeiro valor da oração e o privilégio da oração? O homem estima ser uma grande honra ser admitido nos tribunais dos senhores e reis da terra. Que honra é ter uma audiência com o Rei da glória! Ele estende o cetro de ouro para nós, e espera que nos aproximemos alegre e confiantemente da sua presença para lhe dizer tudo o que está em nossos corações. Ele nos ama tanto. Não deveríamos ousar entrar na presença temível do Grande Rei que não sabemos que nos ama com um amor eterno. Quando entendemos o seu amor para conosco, dizemos-lhe com alegria e entusiasmo todos os desejos do coração. A oração é a energia e vida da alma. É a armadura invencível que protege o cristão devoto dos tiros de mísseis envenenados das baterias do inferno. É a poderosa arma com a qual ele luta as batalhas da vida para a vitória. Aquele que vive em oração reina triunfante. As escuras nuvens de tempestades são afastadas, montanhas de desânimo são lançadas no mar, abismos de dificuldades são ultrapassados, à esperança é dado asas, aumenta a fé e alegrias abundam. O inferno pode enfurecer e ameaçar, mas o que é constante e fervoroso em oração não experimenta qualquer sobressalto. Pela oração as janelas do céu são abertas, e uma chuva de orvalho refrescante chove sobre a alma. É como um jardim regado, um lugar fértil onde floresce a imarcescível rosa de Saron e o lírio do vale, onde se espalham os sempiternos ramos da árvore da vida. Pela oração a alma é alimentada e fortalecida pela vida divina. Apetece-lhe uma esperança brilhante e uma alegria mais profunda, para um senso mais profundo da plenitude divina, para uma caminhada mais doce e próxima de Deus? Então viva em oração. Você gosta de sentir a santa chama do amor queimando em toda a sua intensidade em sua alma? Então, a acenda muitas vezes no altar de ouro da oração. Sem oração a alma enfraquecerá, definhará e morrerá, a fonte do amor se secará e tornar-se-á como um deserto sedento e ressecado. Você admira o caráter de Jesus? Eis sua mansidão e humildade, sua gentileza e terna compaixão. Elas têm alguma beleza e você as deseja para enfeitar sua alma? Então as atraia desde o céu em toda a sua gloriosa plenitude pela fervorosa oração da fé. Assim como o processo de assimilação de alimentos é transformado num ser de vida ativa, então por meio da oração, o caráter de Jesus, em toda a sua beleza transcendente e glória, torna-se o caráter do homem. Se você deseja a vitória durante o dia, comece com oração - não de poucas palavras apressadas, não de poucas petições, mas de minutos de profunda e íntima comunhão com Deus. Demore no altar de oração até que você sinta partículas de glória caindo em riquezas em sua alma, espalhando doçura por toda parte. Nas primeiras horas da manhã, quando ainda, a fragrância da respiração da natureza está em torno de você, deixe sua alma voar nas asas da oração com sua mensagem de amor e de louvor ao seu Criador. "Doce manhã é o tempo para orar: Quão amável e quão doce Para enviar nossos primeiros pensamentos Até o propiciatório!" Se você deseja ser mais profundo e sinceramente piedoso, ore. Se você deseja as alturas em seu amor, as profundidades em sua graça, a plenitude em sua alegria, e riqueza em sua glória, ore, ore com toda a sinceridade de coração e intensidade de alma. Você disse que não tinha tempo para a oração? Que pena! Sua felicidade e sucesso na vida depende de oração. Seu regozijo eterno depende disso. Então, oh, que pena que você não tem tempo para a oração! Satanás irá lhe dizer que não há necessidade de tanto orar. Ele vai lhe dar sentimentos de indiferença, se puder, e dirá que você pode se dar bem o suficiente sem isto. Ele fará tudo o que puder para impedir sua oração. Se não há muito benefício derivado da oração, por que ele está tão preocupado? Os mandamentos da Bíblia são: "Vigiai e orai", "Orai sempre", "Seja perseverante na oração", "Orai sem cessar", etc. Amados santos, exorto-vos a uma vida de oração. Rogo-vos, em nome de Jesus para irem muitas vezes aos seus quartos e lá com toda a sinceridade de alma orarem até que o amor de Deus e a luz do céu encham suas vidas. Ore até que um arrebatamento dos céus varra a sua alma, fazendo o lugar de oração o local mais querido da terra para você. Extraído do livro como viver uma vida santa, de James Orr – traduzido pelo Pr Silvio Dutra “Começando a afundar, gritou, dizendo: Senhor, salva-me". (Mateus 14.30) Momentos de naufrágio são momentos de oração para os servos do Senhor. Pedro negligenciou a oração na partida em sua jornada arriscada, mas quando ele começou a afundar o perigo fez dele um suplicante, e seu clamor embora tardio não foi tão atrasado. Em nossas horas de dor física e angústia mental, nos vemos tão naturalmente levados a orar como a destruição é conduzida sobre a costa pelas ondas. O grande porto de refúgio celestial é a oração; milhares de navios castigados pelas tempestades têm encontrado um refúgio lá, e no momento em que uma tempestade se aproxima, é sábio que façamos isso. Orações curtas são longas o suficiente. Havia apenas três palavras na petição que o ofegante Pedro fez, mas elas foram suficientes para o seu propósito. Não é o comprimento, mas a força que é desejável. Um senso de necessidade é um poderoso professor de brevidade. Se nossas orações tivessem menos penas na cauda do orgulho e mais asa elas seriam melhores. O palavreado está para a devoção assim como a palha está para o trigo. Coisas preciosas se encontram em pequena medida, e tudo o que é a verdadeira oração em muitos casos poderia ter sido proferida uma petição tão curta quanto a de Pedro. Nossas condições extremas são oportunidades para o Senhor agir. Um grande senso de perigo força imediatamente um clamor ansioso que parte de nós para o ouvido de Jesus, e nele o ouvido e o coração andam juntos, e a mão não demora muito para agir. No último momento, fazemos um apelo ao nosso Mestre, e sua mão rápida age imediata e eficazmente para compensar os nossos atrasos. Estamos quase sendo engolidos pelas águas turbulentas da aflição? Vamos, então, elevar nossas almas a nosso Salvador, e podemos ter a certeza de que ele não vai deixar que pereçamos. Quando não podemos fazer nada Jesus pode fazer todas as coisas, vamos contar com sua ajuda poderosa ao nosso lado, e tudo ficará bem. Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra. Clamor É bastante encorajadora a quantidade de promessas que temos da parte de Deus na Bíblia quanto a sermos atendidos caso clamemos a Ele especialmente nos momentos difíceis e de angústia; assim como uma criança faz ao correr para os braços de seu pai numa hora de perigo. Podemos então dizer que isto é como a alma que corre para buscar proteção e alívio em Deus. Ele assegura que nos atenderá se clamarmos por Ele. Clamar não é necessariamente bradar em alta voz com os nossos lábios, como geralmente se costuma pensar, mas como podemos verificar nas mais de seiscentas ocorrências deste verbo no original hebraico (qara),o seu significado está relacionado a: 1 - chamar, seja para trazer à existência (Gên 1.5), seja para dar nomes (Gên 2.23), seja para convocar a presença (Gên 20.9); 2 – proclamar , anunciar(Êx 33.19; 34.5; Lev 23.2); 3 – convidar (Êx 34.15); 4 – clamar (Lev 13.45); 5 – convocar (Núm 1.16); 6 – comunicar, ler (2 Reis 22.8, 10, 16); 7 – Invocar (Sl 18.3). Vemos assim que clamar nada mais é do que buscar o Senhor, chamar por Ele expor-lhe o nosso coração – comunicar-se com Ele. Isto é algo para ser feito em todos os momentos de nossas vidas, porque buscar se comunicar com o Senhor sobretudo em nossas orações é algo que nos é determinado em Sua Palavra (“orai sem cessar”), e especialmente nos momentos de angústia e aflição. Destacamos a seguir algumas passagens bíblicas pelas quais somos incentivados a clamar ao Senhor. Salmo 3.4 Com a minha voz clamo ao Senhor, e ele do seu santo monte me responde. Salmo 18.3 Invoco o Senhor, que é digno de louvor, e sou salvo dos meus inimigos. Salmo 34.6 Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o livrou de todas as suas angústias. Salmo 50.15 e invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás. Salmo 86.7 No dia da minha angústia clamo a ti, porque tu me respondes. Jeremias 33.3 Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes. Oração, Súplica e Intercessão Petições podem ou não fazer parte de nossas orações, mas a oração não consiste meramente em pedir; porque ela é o principal meio de ligação do nosso espírito com a pessoa de Deus. Assim como o principal meio de comunicação entre pessoas é o da conversação, estando nela incluídas todas as demais formas de expressão por sentimentos, emoções e ideias, e tanto mais profunda e extensa será esta conversão quanto maior for a intimidade dos interlocutores, de igual modo se dá em relação a Deus, só que neste caso, necessitamos também da ajuda do Espírito Santo, pois somente Ele conhece a mente de Deus, e pode nos conduzir a orar da maneira que convém fazê-lo. E quanto for maior a intimidade do crente com Deus, maior será a sua comunicação com Ele através da oração, pois nos agrada estar na companhia da pessoa amada, tendo comunhão com ela através da expressão de nossos pensamentos e sentimentos. Importa que a oração seja no Espírito (Judas 1.20) porque se presume que toda oração verdadeira implica uma real comunicação com Deus, e não uma mera articulação de palavras da nossa parte. Vemos assim que nem tudo o que é chamado de oração é verdadeiramente oração, por faltar este elemento essencial da ligação com Deus. A oração é muito mais do que uma simples ponte de ligação entre o crente e Deus – ela é o elo de ligação entre ambos– é como um imã de atração do espírito do crente com o espírito de Deus. Quando percebemos a presença de Deus se movendo pelo Espírito Santo em nosso espírito é quando podemos saber que estamos orando de fato. Não raro o próprio Espírito Santo trará motivos de intercessão às nossas mentes e inspirará nossos lábios ao louvor e às petições que brotarão espontaneamente em nossos corações. Por isso importa continuar elevando o pensamento a Deus e implorando humildemente que atenda à nossa oração, até que sintamos a presença do Espírito Santo nos movendo a orar como convém. Assim, a oração é designada muitas vezes nas Escrituras como sendo uma batalha que devemos empreender até que possamos prevalecer com Deus. Esta insistência em permanecer na presença do Senhor é uma das formas pelas quais Ele coloca à prova a nossa fé e o nosso sincero desejo de estar em comunhão com Ele. Que o Espírito Santo nos ajude a orar desse modo, e que nos mova da posição cômoda de se limitar a dirigir poucas palavras, muitas vezes repetitivas, e que chegam a se tornar para nós como sem sentido em algumas ocasiões, para que possamos estabelecer um canal de comunicação verdadeiro com Deus em nossos espíritos – e assim, o adoremos em espírito e em verdade. Nosso Senhor, com as palavras que proferiu em Marcos 11.25, nos revela claramente que o propósito da oração é sobretudo o de estabelecer a nossa comunhão com Deus, tanto que se ao nos dispormos a orar, nos lembrarmos que temos motivo de queixa contra alguém, devemos nos dispor a perdoar, porque, certamente, um coração magoado e ressentido não pode manter comunhão com Deus que é totalmente amoroso e perdoador. Pressupõe-se portanto que toda oração verdadeira é aquela que procede de um coração puro, perdoador e amoroso, e de uma mente que busque ou esteja em paz. Importa que até mesmo em nossas orações, seja a paz de Cristo o árbitro da real condição de nossos corações. Ao promover a nossa comunhão com Deus por meio da oração, somos fortalecidos espiritualmente, de modo que somos exortados a orar continuamente – sem cessar, porque a falta de oração indica que estamos fracos, e portanto, em vez de andarmos no Espírito, seremos vencidos pela carne. É por este fortalecimento espiritual que é promovido pela oração que podemos vencer as tentações (Lucas 22.40). Se a oração é o meio de nosso fortalecimento espiritual, seria então de se supor que os motivos em nossas intercessões, petições e súplicas a Deus deveriam estar sobretudo relacionados às bênçãos espirituais que temos em Cristo nas regiões celestiais, e não meramente para atender interesses seculares e materiais. Deus espera que pelas orações sejamos cada vez mais conformados à semelhança com nosso Senhor Jesus Cristo, e para tanto necessitaremos ser transformados e amadurecidos espiritualmente, pois adoramos ao Jesus que não vemos com os olhos da carne, senão com os olhos da fé, que permitem que não somente o contemplemos em espírito, como também a que participemos da sua própria vida. Nós temos um exemplo prático desta verdade na oração sacerdotal de nosso Senhor no décimo sétimo capítulo do evangelho de João, na qual intercedeu principalmente pela santificação e unidade dos crentes. Nossas orações deveriam ter portanto em foco muito mais os interesses do reino de Deus e a sua justiça do que propriamente os nossos interesses – o que respeita ao progresso e triunfo do evangelho, do que às nossas próprias vitórias. Daí a importância de nos aprofundarmos no conhecimento da Palavra de Deus, de maneira que nossas orações possam ser feitas segundo a vontade do Senhor, e assim tenhamos a certeza de que somos ouvidos. Nossa vida espiritual está em Jesus Cristo, e a oração é o meio pelo qual nos apropriamos dessa vida espiritual, de modo que teremos mais desta vida tanto quanto mais orarmos. Isto explica a razão pela qual o próprio Senhor Jesus Cristo estava sempre em oração – para que a viva comunhão que tinha com Deus Pai fosse mantida. Paulo também orava sem cessar porque havia aprendido que sem a oração não poderia viver em permanente comunhão com Deus, estando fortalecido em espírito para cumprir o ministério que lhe fora designado por Ele. Quando o Clamor se Faz Mais Necessário Nós vemos o salmista clamando a Deus por libertação das profundezas em que se encontrava, no Salmo 130. Tais profundezas eram certamente da alma, traduzidas em depressão, ansiedade, angústia, inquietação, ou qualquer outra causa que conduza a alma a uma condição de extremo abatimento. Caso ele não clamasse seria de se esperar que a sua situação se agravasse ainda mais, porque em questões relativas ao espírito, um abismo chama outro abismo enquanto não recorremos ao socorro divino. Uma das principais razões para esta necessidade de se clamar a Deus prende-se ao fato de que Ele não pode operar nas situações que impliquem a transformação de nosso caráter e conduta, a não ser pelo nosso consentimento voluntário. Se assim não fora, Deus poderia transformar todos os ímpios e pecadores em santos, independentemente do concurso da vontade deles. Além disso, a condição para a bênção do livramento e paz de nossas almas, consiste no atendimento de pré-requisitos, notadamente aqueles que estão relacionados ao cumprimento dos mandamentos de Deus – da busca de se fazer a Sua vontade – e isto não nos vem a não ser por uma operação direta do Espírito Santo em harmonia com o nosso próprio espírito. No campo de livramentos externos e físicos, Deus pode e tem agido em todo o tempo, até mesmo no caso de ímpios, e de ausência de fé, e independentemente da nossa vontade, porque, neste caso, não há o concurso da necessidade de qualquer transformação interior. Por exemplo, quando o apóstolo Pedro estava afundando nas águas do mar revolto e clamou por socorro ao Senhor Jesus, cremos que ele teria sido ajudado, no sentido de ser livrado do afogamento, ainda que por qualquer razão não tivesse podido clamar por socorro; pois se tratava, como já nos referimos antes, de um livramento físico e não espiritual. Agora, os temores, os pecados, a incredulidade e toda e qualquer fraqueza de caráter de Pedro, somente poderiam ser tratados por uma busca espiritual do apóstolo das graças espirituais que nos curam dos nossos males interiores. Mas, em se tratando de livramentos físicos ou espirituais, faremos bem em sempre clamar a Deus, como fizera o apóstolo Pedro quando afundava no mar. Salmo 119.35 – Comentado por Lutero “Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo.” Nós precisamos praticar diariamente as orações de Davi, como: “Senhor guia-me em teu caminho e não me deixes seguir os meus caminhos” (Sl 119.35,37), e muitas outras deste tipo, que estão todas compreendidas na oração: “Venha a nós o teu reino.” Pois os desejos e as cobiças são tantos, tão diversos e, às vezes, por inspiração do maligno, tão astutos, sutis e de boa aparência, que não é possível para uma pessoa dirigir-se a si mesma em seu caminho. Ela precisa abrir mão de seu próprio agir, encomendar-se ao regimento de Deus e não confiar em sua razão, como diz Jeremias: “Eu sei, Senhor, que os caminhos do ser humano não estão sob seu controle” (Jr 10.23). Isto foi denotado quando os filhos de Israel, saindo do Egito, atravessaram o deserto, no qual não existia caminho, alimento, bebida, nem qualquer refúgio. Por uma nuvem reluzente, e à noite com uma coluna de fogo, alimentava-os do céu, com pão do céu, conservava suas vestes e calçados para que não se rasgassem, conforme lemos nos livros de Moisés (Êx 13.21; 16.4ss; Dt 29.15). Por isso é que pedimos: “Venha o teu reino, para que tu nos governes, e não nós mesmos”, pois nada há de mais perigoso em nós do que nossa razão e vontade. Oração de Adoração Senhor! Que na minha queixa sobre as dificuldades que eu tenha, que seja ela contra a tribulação em si mesma, mas jamais contra a tua pessoa bondosa e amorosa. E que eu me queixe de mim mesmo, dos meus próprios pecados e fraquezas, que tão graciosamente tens perdoado. Sei que mesmo quando o espírito se abate dentro de mim, que tu ainda estás comigo, pois a tua presença me consola. Quem além de ti poderia apagar a minha culpa; lavar-me do pecado; livrar-me do diabo e do fascínio do mundo? Quem poderia fazer de mim uma nova criatura, santificada pelo Espírito? Quem poderia consolar a minha alma quando me sinto afligido e fraco? Graças te dou pelo dom da fé que me uniu a Cristo. A fé por meio da qual fui salvo e continuo sendo purificado de pecados. Torna então Senhor a levantar-me para que entoe louvores ao teu santo nome. Sou pobre e necessitado, mas não esquecido ou desamparado, pois te tenho sempre ao meu lado. Bendito e glorificado sejas para todo o sempre... meu Deus amado. Amém. Oração para Estes Últimos Dias Ah Senhor! Eis que têm chegado os dias em que todos se têm desviado à uma, tanto grandes quanto pequenos, tanto governantes quanto governados, e praticam a iniquidade a não mais poder, de modo que tens preparado de antemão todos os teus grandes juízos pelos quais darás a cada segundo as suas obras, por ocasião da tua volta. O nosso coração está firme na tua Palavra e não tememos esta terrível hora que há de vir sobre o mundo inteiro, porque nos refugiamos no sangue de Jesus Cristo! Se está sendo assim, e assim será de fato, então guarda os que te amam das falsas promessas de esperança que falsos cristos e profetas têm proclamado aos quatro ventos, quando eles próprios estão debaixo de grande condenação da tua parte. Como poderia o bem proceder do mal? Como poderiam agir com justiça aqueles que galgam o poder pela via da corrupção e nela se agarram? Eis que haverão de se esconder de ti na tua volta, nas cavernas e nos penhascos dos montes, não somente os escravos e os livres do povo, mas também "os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos e os poderosos". Como colocaria então neles a minha esperança de paz e segurança? Quão insensato seria se o fizesse, especialmente nesta hora em que tudo aponta para a tua volta em poder e grande glória! "12 Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, 13 as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, 14 e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar. 15 Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes 16 e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, 17 porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?" (Apocalipse 6.12-17) Oração de Exaltação Exalto a ti oh Deus, pois tens livrado a minha alma da morte, e me tens preservado na sinceridade. Em tuas mãos estão o meu coração e todos os meus pensamentos e desejos, de modo que sendo guiado pelo teu Espírito, a tua graça me tem guardado livre de todo o mal. Onde eu estaria, e o que eu faria se não fosse por este teu grande favor de não permitir que eu seja derrubado pelas tentações? Como se manteriam firmes os meus pés, no caminho da tua verdade, se não fosse a tua fidelidade em dar-me graça sobre graça para poder fazer e viver o que te é agradável? Oh, quanto eu te sou grato por tão imerecido favor, comprado para mim e para todos os que te amam, pelo sangue derramado na cruz pelo meu amado Salvador! Quanto desejo a chegada daquele grande dia em que contemplaremos juntos a tua santa face! Quando já não mais te serviremos com tantas falhas e imperfeições, pois te serviremos, deixado este corpo de morte, de modo perfeito, por toda a eternidade. Na tristeza, tens alegrado a alma do teu servo, pois outra alegria não tenho que permaneça, senão a ti mesmo. Quando a aflição me alcança é para ti que eu corro em busca de alívio e bom ânimo, e tens te mostrado sempre fiel em cumprir todas as tuas promessas. Muitas são as tribulações do justo, mas de todas elas o Senhor o livra. Isto está registrado com letras de fogo no meu coração como testemunho da tua completa fidelidade. Senhor! Tu és a minha vida e alegria aqui na Terra. A tua presença me consola! Amém! Oração para Ser Vivificado Grande é a paz dos que em ti se refugiam Senhor! Pois tu me tens sido refúgio e torre forte contra o Inimigo, para que possa fazer a tua obra livremente. Toda arma que tem sido forjada, e todo laço que tem sido armado, tu tens quebrado e desfeito pelo poder da tua graça. Quem poderá impedir que a Tua Palavra seja proclamada até aos confins da Terra? Quem poderia anular o teu poder e a tua glória? A verdade deve ser pregada e tu mesmo és a verdade. Vivifica-me então, segundo a Tua Palavra e o poder do teu Espírito, para que eu viva esta Palavra, pois ela é espírito e vida somente naqueles que têm a coragem de vivê-la com zelo e sinceridade. Purifica os corações e os lábios dos teu profetas para que possam proclamar com amor, ousadia e moderação esta Palavra que é tão pura e abençoadora. Que ela queime a impureza do pecado como fogo. Que ela despedace a rocha do orgulho e da arrogância como um martelo. Que ela ate as feridas das injúrias sofridas, como um bálsamo. Enfim, Senhor, converte, salva e santifica por meio desta tua Palavra que jamais voltará para ti vazia. Oração de Confiança Dá ouvidos, ó Deus, à minha oração; não te escondas da minha súplica. Atende-me e responde-me; sinto-me perplexo e ando perturbado, por causa da opressão que há na Terra, pois o amor de muitos tem esfriado como tu dissestes que ocorreria em nossos dias, por causa da multiplicação da iniquidade. Quão poucos são os que buscam a paz que é decorrente da santidade, da busca de um coração puro e santo para contigo. Mesmo entre os que dizem que te conhecem há muitos que buscam a paz que é dada pelo mundo, e falam de revoltas, contendas e rebeliões, procurando estabelecer a paz na Terra pelo caminho da violência e da opressão. Eu todavia, continuarei esperando pela tua vinda, pois sei que o teu Reino não é deste mundo, assim como tu não és do mundo e todos aqueles que livraste dos grilhões do pecado e do diabo. Não quero a paz que o mundo dá, pois sempre negocia com a verdade e pede que renunciemos aos teus mandamentos. Quero a tua luz e não as trevas disfarçadas de justiça e de bondade; pois o nosso Inimigo se transfigura em anjo de luz, e os seus ministros em ministros de justiça. Livra-me e a todos os que te amam, do engano que nos afasta de ti e da vida que é segundo o evangelho. O teu Reino é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. A tua paz demanda a conversão e santificação do coração. Não permita portanto que eu busque a paz e a justiça que são baratas, e que o mundo e o diabo oferecem, pois não exige transformação de caráter e santificação. Assim sempre te invocarei no dia da calamidade e não buscarei no homem e nem nos arranjos políticos da Terra a paz e a segurança verdadeiras e eternas que somente em ti podem ser encontradas. A ti somente confio todos os meus cuidados, pois sei que tu me susterás como me tens sustentado até aqui, para que eu nunca seja abalado. Estando firme na tua graça juntamente com todos os teus amados... te serviremos por todos os dias de nossas vidas aqui embaixo, até que sejamos recebidos na glória para a qual nos tens preparado. Amém. Oração para Permanecer Firme Purifica-me o coração Senhor, de toda má consciência, para que atendas ao meu clamor, que te dirijo nesta hora. Tenho amado os teus caminhos, deleito-me nos teus mandamentos, tenho feito da tua Palavra o meu alimento diário, e tenho sido mantido de pé pela concessão da tua graça poderosa. Aguardo no teu livramento, pois neste momento o mal tem batido à minha porta, e o Inimigo procura intimidar-me com ameaças. Levanta-te pois Senhor em meu favor, por amor de teu filho amado Jesus Cristo, e livra a minha alma do laço que me têm armado. Mais do que tudo te peço, que guardes em paz a minha mente e o meu coração, para que não fiquem turbados e desanimados. Dá-me bom ânimo nesta hora de angústia, em que a minha alma se encontra em grande aflição. Visita-me com a tua graça e ficarei mais forte do que o leão furioso que me atormenta, e ele baterá em retirada ao ver que tu estás comigo. Puseste-me no coração esta determinação de não te deixar e nem as tuas veredas por nenhuma circunstância difícil que me acometa ou àqueles que me são queridos. Sei que tudo está debaixo do teu controle e cuidado, e nada há que aconteça que não são seja para o nosso próprio bem. Dá-me um coração piedoso e santo e o mantenha sempre assim, para que jamais venha a te desapontar. Quero fazer valer o sangue que Jesus derramou por mim naquela cruz, dando o bom testemunho da fé que nos fortalece nas horas de tribulação. Nada mais te peço senão que me dês um coração justo, amoroso e sábio em tudo o que eu penso e em tudo o que eu faço. Coberto pela justiça de Jesus, e sendo dela revestido progressivamente pelo teu Espírito, hei de contemplar a tua amada face, que para mim é vida e toda a minha felicidade. Amém. Oração para Manter a Comunhão com Deus Senhor Deus, tu que és a minha justiça e redenção... tem misericórdia de mim, por causa da grande aflição em que me encontro. Não te peço por misericórdia por algo de bom que haja em mim, mas confiado nos méritos exclusivos de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual intercede à tua direita, como Advogado de todos os pecadores que te amam. Responde ao meu clamor, porque somente em ti posso encontrar a paz de espírito que tanto necessito. Confiando na tua infinita fidelidade, em cumprir todas as tuas boas promessas, achego-me junto ao teu trono de graça, à busca da concessão do teu favor ao meu espírito atribulado. Não busco forças para gastá-las com o que é vão, mas para glorificar o teu santo nome, por receber de ti um coração purificado de toda má consciência e do pecado. Lava-me com o sangue de Jesus e ficarei purificado, para que possa contemplar a beleza da tua santidade. Oração de Louvor e Gratidão Senhor meu Deus, tu és o meu único refúgio seguro neste mundo mau e de trevas. Somente em ti posso achar a paz, a paciência e a alegria em suportar sofrimentos por amor de Jesus Cristo e da tua verdade. O Inimigo levanta perseguições e injúrias contra a minha alma porque busco servir-te com sinceridade e fidelidade. As minhas faltas não tenho escondido de ti, e não justifico o mal que penso ou pratico; antes sempre te peço que me purifiques o coração para que possa estar de pé em tua presença, tendo comunhão contigo. Bendito seja o teu nome por todas as tribulações que têm me afligido, porque através delas tenho conhecido melhor o teu poder e a tua graça. Grande é a tua bondade e fidelidade. Grandes são os teus juízos e a tua justiça. Grande é a tua salvação e todos os teus livramentos. Tu és um refúgio impenetrável para todos os que em ti confiam. Somente em ti espero, e sempre esperarei, não para que cessem todas as minhas tribulações, pois sei que elas se levantam como nuvens no dia cinzento, mas para que permaneça alegre, calmo e em paz, ainda que o sol não esteja brilhando sobre a minha vida. Sei que tu permaneces inabalável para além das nuvens como o sol da minha justiça. Assim, sempre te renderei graças por toda a tua bondade para comigo, concedendo-me graça para ser apenas um mero instrumento em tuas mãos, para a tua exclusiva glória, eternamente. Amém. A intimidade da Oração É difícil e até mesmo uma coisa formidável escrever sobre oração, e alguém teme tocar a Arca. Talvez ninguém deve empreendê-lo a menos que tenha gasto mais labuta na prática da oração, do que em seu princípio. Mas talvez também o esforço de olhar para o seu princípio possa ser considerado graciosamente por Aquele que vive sempre para interceder para sabermos como melhor orar. Todo o progresso na oração é uma resposta à oração - a nossa própria ou de outra pessoa. E toda oração verdadeira promove o seu próprio progresso e aumenta nosso poder para orar. O pior pecado é a falta de oração. Pecado evidente, ou crime, ou as inconsistências gritantes que muitas vezes nos surpreendem nas pessoas cristãs são o efeito disto, ou a sua punição. Somos deixados por Deus por falta de buscá-Lo. A história dos santos mostra muitas vezes que suas faltas foram fruto e vindicação de negligência na oração. Suas vidas, em algumas épocas, também tendem a se tornar desumanas por seu isolamento espiritual. Eles deixaram os homens, e foram deixados pelos homens, porque em sua contemplação não encontraram a Deus, eles encontraram, senão o pensamento ou a atmosfera de Deus. Somente a oração mantém viva a solidão humana. Ela é o grande produtor de simpatia. Confiando no Deus e Pai de Jesus Cristo, e transacionando com Ele, entramos em sintonia com os homens. O nosso egoísmo se retira antes da chegada de Deus, e caminhamos na luz com o nosso Pai e com os nossos irmãos. Nós percebemos o homem como ele é em Deus e para Deus, seu Amoroso Pai. Quando Deus enche o nosso coração Ele abre mais espaço para o homem do que o coração humanista possa encontrar. A oração é um ato, é de fato um ato de amizade. Não podemos verdadeiramente orar por nós mesmos, sem passar além de nós mesmos e da nossa experiência individual. Se devemos começar com isto a natureza da oração nos leva para além disto, tanto a Deus quanto ao homem. Mesmo a oração privada é uma oração comunal. Não desejar orar, então, é pecado sobre pecado. E isso acaba por não sermos capazes de orar. Esse é o seu castigo - mudez espiritual, ou, pelo menos, afasia, e fome. Nós não tomamos o nosso alimento espiritual, e assim nós erramos, definhamos e morremos. "No suor do teu rosto comereis o vosso pão." O que foi dito é verdade tanto para o trabalho físico quanto para o espiritual. É verdade tanto da vida do pão quanto do pão da vida. A oração traz consigo, como o alimento faz, uma nova sensação de poder e de saúde. Somos levados a isso pela fome, e, tendo comido, estamos revigorados e fortalecidos para a batalha que até mesmo envolve a nossa vida física. Porque o coração e a carne clamam pelo Deus vivo. O dom de Deus é gratuito, é, portanto, um presente para a nossa liberdade, ou seja, a renovação de nossa força moral, o que faz de nós humanos. Sem este dom sempre renovado, a nossa própria liberdade pode nos escravizar. A vida de cada organismo é senão a constante vitória de uma energia superior, constantemente alimentada, sobre as forças mais baixas e mais elementares. A oração é a assimilação da força moral de um Deus santo. Devemos trabalhar por esta vida. Para alimentar a alma, devemos labutar em oração. E quão trabalhoso é isto! "Ele orou em agonia." Devemos orar até às lágrimas se for necessário. A nossa cooperação com Deus é a nossa receptividade, mas isto é uma ativa, uma receptividade trabalhosa, uma importunação que drena nossa força para longe se não tocar as fontes da Força Eterna. A oração é a poderoso apropriação do poder, do poder divino. Por isso, é criativa. A oração não é mero desejo. Ela é um pedido - com a vontade. Nossa vontade está nisto. Ela é energia. “Orare est laborare”, ou seja: orar é trabalhar. Voltamo-nos para um Deus doador ativo, por isso entramos em ação. Porque não conseguimos orar, sem conhecer encontrá-lo ao vivo. Se Deus tem uma controvérsia com Israel, Israel deve lutar com Deus. Além disso, Ele é o doador não só da resposta, mas antes, da própria oração. Seu dom provoca a nossa oração. Ele nos pede, e isto nos leva a Lhe dirigir súplicas. E o que pedimos é principalmente o poder de pedir mais e pedir melhor. Oramos por mais oração. O verdadeiro "dom da oração" é graça de Deus, antes que seja nossa habilidade. Assim, a oração é, para nós, paradoxalmente, tanto um dom quanto uma conquista, uma graça e um dever. Mas isso não quer dizer, que não seja um caso especial da verdade, que todo o dever é um dom, cada chamada para nós uma bênção, e que a tarefa na qual muitas vezes encontramos um fardo é realmente uma bênção? Quando olhamos para cima e abaixo dela, é uma carga, mas aqueles que olham para baixo dela ao lado de Deus, a veem como uma bênção. Isto é como se tivessem grandes asas - que aumentam o peso, mas também o voo. Se não temos nenhum dever para com Deus, Ele se fechará para nós. Negar o dever é negar a Deus. Nenhuma cruz, nenhum Cristo. "Quando a dor acaba o ganho termina também." Estamos tão egoisticamente absorvidos com as bênçãos de Deus que nos esquecemos do Seu dom da própria oração. Mas orar não é uma questão simplesmente de vontade, mas de aceitar e usar, conforme a vontade de Deus o dom e o poder de orar. Em cada ato de oração nós já começamos a fazer a vontade de Deus, acima de todas as coisas pelas quais oramos. A oração de todas as orações é "seja feita a Tua vontade." E não tem esta petição um significado especial aqui? "Minha oração é Tua Vontade. Criaste isto em mim. É Teu mais do que é meu. É perfeita a Tua própria Vontade..." - Tudo isto é paráfrase, a partir deste ponto de vista, de "ouça a minha oração.". "A vontade de orar", dizemos, "é a Tua vontade. Que isto seja feito tanto em minha petição e em teu aperfeiçoamento da mesma.". A petição é metade da vontade de Deus. É a vontade de Deus incipiente. "Tua vontade" (na minha oração) "seja feita” (na tua resposta). É Teu tanto o querer quanto o realizar. Tua vontade seja feita no céu - na resposta, como na terra – na petição." A oração tem sua grande finalidade atendida quando ela nos levanta para sermos mais conscientes e mais seguros do dom do que da necessidade, da graça do que do pecado. Como petição sobe por necessidade ou pecado, em nossa primeira oração que vem em primeiro lugar, mas pode cair em um lugar subordinado, quando, no final de nossa adoração, estamos cheios da plenitude de Deus. "Naquele dia nada Me pedireis.", disse Jesus. Tristeza interior preenche a oração de petição; alegria interior a oração de ação de graças. E esse pensamento nos ajuda a lidar com o problema, com o ser ouvido, e especialmente com a sua resposta. Ou melhor, quanto ao local e tipo de resposta. Vamos chegar um dia a um céu onde saberemos com gratidão que grandes recusas de Deus foram, por vezes, as verdadeiras respostas para a nossa verdadeira oração. O objetivo principal de toda oração é nos conduzir a Deus. Mas podemos atingir Sua presença e nos aproximarmos dele pelo meio de lhe pedir outras coisas, coisas temporais ou coisas do reino espiritual, do que pela oração direta para nossa união com Ele. A oração pela libertação de problemas pessoais ou de calamidades nacionais pode nos trazer mais perto dele do que uma mera aspiração devotada para estar absorvido nele. A oração da mulher pobre para encontrar a sua dracma perdida pode significar mais do que a oração de muitos no claustro. Essa angústia é muitas vezes entendida por Deus como um meio inicial e exercício para a sua finalidade constante do reencontro com Ele. Sua paciência é tão extensa e gentil que Ele está disposto a começar conosco quando estamos mais longe do que em usá-Lo como um meio de fuga ou alívio. O Pai santo pode transformar do seu jeito, até mesmo o egoísmo. E Ele nos dá alguma resposta, embora o alívio não venha, se Ele nos mantiver orando, e cada vez mais dispostos e purificados em oração. A oração nunca é rejeitada, desde que nós não cessamos de orar. O principal fracasso da oração é a sua cessação. A nossa insistência é uma parte da resposta de Deus, tanto de Sua resposta a nós e a nossa para ele. Ele está sublimando a nossa ideia de oração com o propósito de nos conduzir em meio a todos os problemas para mais perto de Si mesmo. Uma imagem caseira tem sido usada. O marceneiro, quando cola duas placas, as mantém firmemente presas até que o cimento as mantenha unidas, e assim, quando a pressão externa não é mais necessária, então ele as solta. Assim sucede com as calamidades, depressões e decepções que nos esmagam em nosso estreito contato com Deus. A pressão sobre nós é mantida até que a união da alma com Deus esteja definida. O alívio imediato não estabelece o hábito da oração, embora possa nos fazer acreditar nela com uma rapidez muito rasa para durar ou para torná-la o princípio da vida de nossa alma em qualquer profundidade. Uma fé que se baseia principalmente em impetração pode se tornar mais uma fé na oração do que fé em Deus. Se temos tudo que pedimos, devemos em breve vir a tratá-lo como uma conveniência, ou o pedido como uma espécie de mágica. O motivo de muita confusão sobre a oração é que nós somos menos ocupados sobre a fé em Deus do que sobre a fé na oração. Aos olhos de Deus o grande objetivo da oração é a abertura ou a restauração da livre comunhão com Ele no reino de Cristo, a uma comunhão de vida, que pode até, em meio a nosso dever e serviço, se tornar tão inconsciente como o bater do nosso coração. Neste sentido, cada verdadeira oração traz a resposta com ela, e que não é somente "reflexiva", em nossa pacificação da alma, mas objetivamente em nossa obtenção de um lugar mais profundo e mais perto de Deus e do Seu propósito. Se a oração é o grande dom de Deus, é um dom inseparável do Doador, que, afinal, é o seu próprio grande presente, uma vez que a revelação é a sua auto-doação. Por isso Ele está ativamente conosco quando oramos, e exerce sua vontade através da oração. E, por outro lado, a oração nos faz perceber o quão longe de Deus nós estávamos, ou seja, ela nos faz perceber o nosso pior problema e repará-lo. A necessidade exterior acende o sentido da interior, e descobrimos que a resposta completa para a oração é o próprio Senhor que nos responde, e a alma faminta é saciada com a plenitude de Cristo. Tradução, redução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, do Livro Soul of Prayer (Alma da Oração) - CAPÍTULO I (A intimidade da Oração), de autoria de Peter Taylor Forsyth. Oração de um coração quebrantado Oh Senhor, não passo de uma cana quebrada e de um pavio fumegante. Na verdade, à Tua presença, sou menos do que o pó da terra. Não sou nenhum carvalho poderoso Conforme alguns pensam ser em sua vã imaginação. Quebrantas-te-me e me sinto quebrado diante da Tua majestade e santidade. Não me consumas na Tua ira, e ensina-me a estar quieto e humilhado debaixo da Tua potente mão Compadece-te portanto de mim e ampara-me Perdoa todas as minhas transgressões Não me trates segundo as minhas fraquezas Porque não está em mim mesmo o poder e força Força e poder te pertencem E tu os dás conforme é do teu agrado Expuseste a minha real condição debaixo da tua luz E sinto-me alarmado Purifica-me, te suplico, pela tua própria justiça e misericórdia Então a minha alma achará descanso e paz em Ti Ajuda-me a não olhar para mim mesmo à busca de solução Ajuda-me a manter os olhos da fé fixados em nosso Senhor Jesus Cristo, para que seja livrado de todos os meus temores e de todo o mal que tem se abatido sobre o meu corpo, espírito e alma. Eu te louvo porque sei que não desamparas os que buscam refúgio em ti. Continuarei orando e confiando enquanto aguardo pelo teu socorro. Porque é em nome de teu filho Jesus Cristo que ouso elevar esta oração a ti, certo de que é por causa dos seus méritos, graça, intercessão que posso falar contigo. Dá-te pois Senhor, pressa em socorrer-me! Derramando o Coração Ah Senhor amado de minha alma... Que eu não tenha inveja dos homens malignos, nem queira estar com eles, porque o seu coração maquina violência, e os seus lábios falam o mal. Tenho aprendido contigo que mais poder tem o sábio do que o forte, e o homem de conhecimento, mais do que o violento. Sei que se me mostrar fraco no dia da angústia, a minha força será pequena, porque é preciso honrar-te mantendo firme a esperança de que serás a minha força na minha fraqueza. Livra Senhor... os que estão sendo levados para a morte e salva os que sequer sabem que estamos todos mortos em espírito na tua presença, quando não temos a vida de Jesus Cristo habitando em nós. Como poderia esconder de ti as minhas faltas, pois pesas corações e tudo sabes, antes mesmo que eu formule qualquer pensamento. Dá-me pois sabedoria espiritual para que possa vigiar meu coração e mente, e confessar-te todas as minhas transgressões, de modo que não me sejam ocultas. Confio inteiramente na tua graça e misericórdia para com os pecadores, dos quais eu sou o principal. Torna a alegrar-me com a tua alegria, para que te cante louvores de todo o meu coração. Pois tenho andado em humildade na tua presença, e tenho perdoado a todos os meus ofensores, e intercedo pelo bem dos que me injuriam. Tu sabes que não me alegro com a ruína de qualquer pessoa, e que o meu coração se compadece dos que andam vencidos pelo pecado. Não busco coisas elevadas para mim, não me interesso por riquezas terrenas ou fama. Minha alma abomina a lisonja, pois sei muito bem que nada sou. Tu és o meu tudo, a minha única herança e esperança. Fortalece-me então Senhor, para que eu glorifique o teu santo nome na Terra, pelo testemunho da operação tua graça em minha vida. Outro bem não espero a não ser que possa ser em tuas mãos uma bênção para o meu próximo. Faze prevalecer o amor e o bem em cada coração que nesta hora faz juntamente comigo esta oração. Abençoa nossas vidas, nossos lares, nossos amados e até mesmo os nossos inimigos, para que se saiba que em ti há somente o bem, e nenhuma treva ou mal. Os Benefícios da Oração de Intercessão A necessidade e benefício da intercessão, considerada como um exercício de amor universal. Como todas as categorias de homens devem orar e interceder junto a Deus uns pelos outros. Como tal intercessão pacifica e reforma os corações daqueles que a utilizam. Que a intercessão é uma grande e necessária parte da devoção cristã, está muito evidente nas Escrituras. Os primeiros seguidores de Cristo, parecem ter se suportado em amor, e mantido todas as suas relações e correspondência, através de orações mútuas. Paulo, seja escrevendo para as igrejas, ou a pessoas em particular, mostra sua intercessão permanente por eles, que era o assunto constante de suas orações. Assim, disse aos Filipenses: “Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós, fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações,”, Fp 1.3,4. Aqui vemos, não somente uma contínua intercessão, mas executada com muita alegria, como também mostra que era um exercício de amor, no qual ele se regozijava altamente. Sua devoção teve também o mesmo cuidado por pessoas em particular; como aparece na seguinte passagem: “Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia.”, II Tim 1.3. Quão santo e amigável foi isso, como digno de pessoas que foram elevadas acima do mundo, e relacionadas entre si, como novos membros de um reino do Céu! Apóstolos e grandes santos não somente beneficiam e abençoam igrejas particulares e pessoas privadas, mas eles mesmos também recebem graças de Deus pelas orações dos outros. Assim diz Paulo aos Coríntios: “ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos.”, II Cor 1.11. Esta foi a antiga amizade dos cristãos, unindo e cimentando os seus corações, não por considerações mundanas, ou humanas paixões, mas pela comunicação mútua de bênçãos espirituais, por orações e ações de graças a Deus. Foi essa intercessão santa, que levantou os cristãos a tal estado de amor mútuo, que excedeu tudo o que havia sido elogiado e admirado na amizade humana. E quando o mesmo espírito de intercessão estiver mais uma vez no mundo, quando o cristianismo tiver o mesmo poder sobre os corações das pessoas, então isto que tinha sido antes, estará novamente na moda, e os cristãos serão novamente a maravilha do mundo, por causa daquele excelente amor que possuírem mutuamente. Porque uma intercessão frequente a Deus, rogando-lhe com sinceridade para perdoar os pecados de toda a humanidade, para abençoá-los com a sua providência, iluminá-los com o seu Espírito, e trazê-los para sempre à felicidade duradoura, é o exercício mais divino em que o coração do homem possa estar engajado. Esteja portanto, diariamente, de joelhos, numa solene, e determinada execução desta devoção, orando pelos outros com a importunação e sinceridade que você usa para si mesmo; e encontrará todas as pequenas paixões e fraquezas naturais morrerem, o seu coração crescer grande e generoso, deleitando-se com a felicidade comum dos outros, assim como você usava apenas para deleitar a si mesmo. Porque aquele que ora diariamente a Deus, para que todos os homens possam ser felizes no céu, toma o caminho mais deleitável para fazê-lo desejar, e procurar sua felicidade na terra. E é quase impossível para você, implorar e rogar a Deus para fazer qualquer um feliz nos mais elevados deleites da sua glória por toda a eternidade, e ainda assim estar preocupado para vê-lo desfrutar os menores dons de Deus, neste curto e baixo estado de vida humana. Quando, portanto, uma vez que você tenha habituado o seu coração para um sincero desempenho desta intercessão santa, você tem feito uma grande coisa, para torná-lo incapaz de rancor e inveja, e para fazer com que se deleite com a felicidade de toda a humanidade. Este é o efeito natural de uma intercessão geral por todos os tipos de homens. Apesar de estarmos tratando toda a humanidade, como vizinhos e irmãos, como qualquer ocasião oferece, ainda, já que somente podemos viver na real companhia de poucos, e somos em nosso estado e condição mais particularmente relacionados com uns do que com outros, por isso quando nossa intercessão é feita um exercício de amor para aqueles entre os quais a nossa sorte está caída, ou que pertencem a nós numa relação mais próxima, isto então traz o maior benefício para nós mesmos, e produz seus melhores efeitos em nossos próprios corações. Se, portanto, você deve sempre mudar e alterar as suas intercessões, de acordo como as necessidades que seus conhecidos pareçam exigir; rogando a Deus para livrá-los de tais e tais males particulares, ou para lhes conceder este ou aquele dom especial, ou bênção, tais intercessões, além da grande caridade delas, teriam um efeito poderoso sobre o seu próprio coração. Seria mais agradável para você, ser cortês e condescendente com tudo o que se refira a você, e que não seja capaz de dizer ou fazer uma coisa rude, ou difícil para aqueles que têm sido o motivo de suas compassivas intercessões. Pois não há nada que nos faça amar mais uma pessoa do que orar por ela. Isto irá encher o seu coração com uma generosidade e ternura, que lhe darão um melhor e mais doce comportamento, do que qualquer coisa que se chama de bons modos. Ao considerar a si mesmo como um advogado junto a Deus, pelos seus vizinhos e conhecidos, nunca iria achar difícil estar em paz com eles. Seria fácil suportar e perdoar aqueles para os quais você implorou por misericórdia e perdão divinos. Tais orações como estas, entre vizinhos e conhecidos, iria uni-los uns aos outros pelos laços mais fortes de amor e ternura. Seria exaltar e enobrecer suas almas, e ensinar-lhes a se considerarem mutuamente num estado mais elevado, como membros de uma sociedade espiritual, daqueles que são criados para o gozo comum da bênçãos de Deus e que são co-herdeiros da mesma glória futura. Se um pai estivesse fazendo diariamente orações a Deus, para que ele inspirasse seus filhos à verdadeira piedade, grande humildade e estrita temperança, o que poderia ser mais propenso a se fazer senão o próprio pai se tornar exemplar nessas virtudes? Quão envergonhado ele seria caso lhe faltasse essas virtudes, que ele considerava necessárias para os seus filhos? Assim que suas orações pela sua piedade, seria um certo meio de exaltar a elevação da sua própria devoção. Quão religiosamente um pai deveria conversar com seus filhos, a quem considerasse como seu pequeno rebanho espiritual, cujas virtudes ele formaria com o seu exemplo, incentivado por sua autoridade, nutrido seu conselho, e levado a prosperar por suas orações a Deus por eles? Quão temeroso ele estaria de todas as maneiras gananciosas e injustas de aumentarem o seu dinheiro, de se tornarem muito apreciadores do mundo, para que isto não os tornasse incapazes de receber as graças, que ele tão frequentemente rogava a Deus para conceder-lhes? Sendo estes os efeitos simples, felizes, desta intercessão, todos os pais, espero, que almejam o verdadeiro bem-estar de seus filhos no coração, que desejam ser seus verdadeiros amigos e benfeitores, e viverem entre eles no espírito de sabedoria e de piedade, não deveriam negligenciar um meio, tanto de elevar a sua própria virtude, e para fazer um bem eterno àqueles amados que estão tão perto deles, pelos laços mais fortes da natureza. Este seria um triunfo sobre si mesmo, seria humilhar reduzir o seu coração à obediência e ordem, que o próprio diabo temeria tentá-lo novamente da mesma maneira, quando visse que a tentação se transformou em tão grande forma de mudar e reformar o estado do seu coração. E ainda, se em qualquer pequena diferença, ou mal-entendidos que você tenha tido com um parente ou vizinho, ou qualquer outra pessoa, então você deve orar por eles de uma forma mais específica, do que a forma comum, rogando a Deus que lhes dê toda a graça e bênção, e a felicidade que puder ser imaginada, e assim teria tomado a via mais rápida para reconciliar todas as diferenças e esclarecer toda incompreensão. Este seria o grande poder da intercessão cristã; em remover todas as paixões impertinentes, amolecer o seu coração para uma maior longanimidade, e para melhor julgar todas as diferenças que acontecerem entre você e qualquer um dos seus conhecidos. Os maiores ressentimentos entre amigos e vizinhos, na maioria das vezes surgem de pequenos erros, o que é um certo sinal de que sua amizade é meramente humana, não fundada em considerações religiosas, ou apoiada por tais orações mútuas, como os primeiros cristãos faziam. Porque tal devoção deve necessariamente destruir tais contendas, ou ser destruída por elas. Você não pode ter qualquer mau humor, ou mostrar qualquer comportamento indelicado para com uma pessoa pela qual você tem intercedido como seu advogado para com Deus. Tradução, redução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, do vigésimo primeiro capítulo do livro de William Law, em domínio público, intitulado Uma Chamada Séria a Uma Vida Santa e Devota. William Law, foi professor e mentor por vários anos de John e Charles Wesley, George Whitefield – principais atores do grande avivamento do século XVIII, que se espalhou por todo o mundo - Henry Venn, Thomas Scott e Thomas Adam, entre outros, que foram profundamente afetados por sua vida consagrada a Deus, e sobretudo pelo conteúdo deste livro. Uma Chamada Séria a Uma Vida Santa e Devota – Cap XIV - Sobre a Oração Como devemos melhorar nossas formas de oração, e como aumentar o espírito de devoção. Tendo mostrado nos capítulos anteriores, a necessidade de um espírito devoto, ou hábitos espirituais em todas as partes da nossa vida comum, no desempenho de todos os nossos negócios, no uso de todos os dons de Deus; vou considerar agora aquela parte da devoção, que se refere aos tempos de horas de oração . Eu tenho isto como algo garantido, que cada cristão, que é saudável, se levanta cedo pela manhã, porque é mais do que razoável supor que se levante cedo, porque ele é um cristão, tanto quanto se ele é um trabalhador ou um comerciante, ou que tenha outros negócios aguardando por ele. Nós, naturalmente, temos alguma aversão a um homem que está na cama, quando ele deveria estar no seu trabalho, ou em seu negócio. Nós não podemos pensar nada de bom dele, que é como um escravo da sonolência, assim como negligencia seus deveres por causa disso. Isto portanto, nos ensina quão odiosos devemos parecer aos olhos do céu, se estamos na cama, calados nas trevas do sono, quando deveríamos estar louvando a Deus; e somos não apenas escravos do sono, como negligenciamos nossas devoções a ele. Porque, se deve ser responsabilizado como um preguiçoso, aquele que escolhe a indulgência do sono, e deixa de realizar a sua parte adequadamente nos negócios do mundo, quanto mais aquele que permanece em sua cama, e que não eleva o seu coração a Deus em atos de louvor e adoração? A oração é a maior forma de aproximação a Deus, e o modo de ter o maior desfrute dele, que somos capazes de ter nesta vida. Ela é o exercício mais nobre da alma, o uso mais exaltado de nossas melhores faculdades, e a máxima imitação dos bem-aventurados habitantes do céu. Quando nossos corações estão cheios de Deus, enviando santos desejos para o trono da graça, então estamos em nosso estado mais elevado, estamos na maior altura da grandeza humana, não estamos diante de reis e príncipes, mas na presença e audiência do Senhor de todo o mundo, e não pode haver mais alto privilégio e honra, até que a morte seja tragada em glória. Por outro lado, o sono é o mais pobre, o mais maçante refrigério do corpo, que está muito longe de ser concebido como um prazer, porque somos forçados a recebê-lo. O sono indolente é um estado tão estúpido da existência, que, mesmo entre os animais, nós desprezamos aqueles que são mais sonolentos e indolentes. Aquele, portanto, que escolhe, ampliar a indulgência indolente do sono, ao invés de levantar cedo, para as suas devoções a Deus, opta pelo refrigério mais maçante do corpo, antes do mais elevado, mais nobre emprego da alma. Talvez você dirá, que embora você se levante tarde, todavia é sempre cuidadoso com suas devoções quando está acordado. Pode ser assim. Mas o que dizer então? É um bom ato acordar tarde, porque você ora, quando se levanta da cama? É perdoável desperdiçar grande parte do dia na cama, pois algum tempo depois fará suas orações? É tanto o seu dever se levantar para orar, como orar quando você está acordado. E se você está atrasado em suas orações, você tem para oferecer a Deus as orações de um adorador preguiçoso e ocioso, que sobem como orações, assim como servos ociosos se levantam para executar o seu trabalho. Além disso, se você gosta de ser cuidadoso em suas devoções, quando está acordado, apesar de ser o seu costume se levantar tarde, você engana a si mesmo, porque não pode executar as suas devoções como deveria . Porque aquele que não pode negar a si mesmo esta indulgência sonolenta, senão passar boa parte da manhã na mesma, não está mais preparado para a oração quando está acordado, do que está preparado para qualquer outra auto-negação. Porque dormir assim indolentemente, transmite uma ociosidade a todos os nossos comportamentos, e nos torna incapazes de apreciar qualquer coisa, senão aquilo que se adapte a tal estado de mente, e que gratifique nossos gostos naturais, como faz o sono. Ora, aquele que transforma o sono em uma indulgência ociosa, faz tanto para corromper e desordenar a sua alma, para torná-la uma escrava dos apetites do corpo, e mantê-la incapaz de toda devoção de um comportamento santo, assim como aquele que transforma as necessidades de alimentação, num curso de indulgência. Uma pessoa que come e bebe muito, não sente os efeitos disto, como aqueles que vivem em casos notórios de gula e intemperança, mas ainda o seu curso de indulgência, embora não seja escandaloso aos olhos do mundo, nem atormente sua própria consciência, é um grande e constante obstáculo para sua melhoria em virtude, porque isto lhe dá olhos que não veem, e ouvidos que não ouvem, que cria uma sensualidade na alma, aumenta o poder das paixões corporais, e lhe torna incapaz de alcançar o verdadeiro espírito da religião cristã. Agora este é o caso daqueles que perdem o seu tempo durante o sono; isto não desordena suas vidas, ou fere suas consciências, como os atos notórios de intemperança, mas como qualquer outro curso imoderado de indulgência, silenciosamente, e por graus menores, desgasta o espírito da religião, e afunda a alma num estado de dolência e sensualidade. Se você considerar a devoção apenas como um certo momento de oração, você talvez a cumpra, apesar de viver neste indulgência diária: Mas se você considerá-la como um estado do coração, como um vivo fervor da alma, que é profundamente afetada com um senso de sua própria miséria e fraquezas, e sua necessidade do Espírito de Deus, mais do que todas as coisas do mundo, você vai achar que o espírito de indulgência, e o espírito de oração, não podem subsistir juntos. Uma mortificação de todos os tipos, é a própria vida e alma da piedade, mas aquele que não tem o menor grau disto, de modo que não começa desde cedo suas orações, não pode ter nenhuma razão para pensar que ele tomou a sua cruz , e que está seguindo a Cristo. Se o nosso bendito Senhor costumava orar antes de iniciar o dia, se ele passou noites inteiras em oração, se a devotada Ana estava dia e noite no templo, se Paulo e Silas, à meia-noite, cantaram louvores a Deus, se os cristãos primitivos, por vários anos, além de suas horas de oração ao meio-dia, se reuniam publicamente nas Igrejas à meia-noite, para se juntarem nos Salmos e Orações, não é certo que estas práticas mostram qual era o estado do seu coração? Não são provas claras da completa mudança de suas mentes? E se você vive em um estado contrário, perdendo grande parte de cada dia com o sono, pensando muito pouco sobre as orações; não é igualmente certo, que esta prática tanto mostra o estado de seu coração, e a inclinação de sua mente? De modo que , se esta indulgência é o seu modo de vida, você tem muita razão para acreditar-se destituído do verdadeiro espírito de devoção, como você crê que os apóstolos e santos da Igreja Primitiva eram verdadeiramente devotos. Porque, assim como o seu modo de vida foi uma demonstração da devoção deles, de igual modo, um caminho contrário de vida, é uma forte prova de falta de devoção. Quando você lê as Escrituras, você vê uma religião que é toda vida e espírito, e de alegria em Deus, que supõe a nossa alma subindo acima dos desejos terrenos, e das indulgências corporais, para se preparar para outro corpo, um outro mundo, e outros prazeres. Mas quem pode ter pensado ter essa alegria em Deus, esta aspiração pela eternidade, esse espírito vigilante, se não tiver zelo suficiente para se levantar para as suas orações? A primeira coisa que você deve fazer, quando você estiver sobre os seus joelhos, é fechar os olhos e, com um breve silêncio deixe a sua alma se colocar na presença de Deus, ou seja, você deve usar isso, ou algum outro método melhor, para se separar de todos os pensamentos comuns, e fazer seu coração tão sensível quanto você possa da presença divina. Agora, se esse recolhimento em espírito é necessário, quem pode dizer que não é? então, quão pobremente devem realizar suas devoções, aqueles que estão sempre com pressa? Para continuar, se você pudesse usar (tanto quanto possível) sempre o mesmo lugar para orar, se você pudesse reservar esse lugar para a devoção, este tipo de consagração do mesmo, como um lugar de devoção, teria um efeito em sua mente , e lhe disporia a estar animado para a sua devoção. Porque ter um lugar assim, sagrado em seu quarto, faria com que estivesse sempre no espírito da religião, quando lá estivesse, e lhe encheria com pensamentos sábios e santos. O seu próprio quarto elevaria em sua mente, tais sentimentos que você temeria pensar ou fazer qualquer coisa que fosse tola nesse lugar, que é o lugar de oração, e santificado para Deus. Quando você começar suas petições, use várias expressões dos atributos de Deus, que podem fazê-lo mais sensível da grandeza e poder da natureza divina. Embora, a oração não consista em belas palavras, ou expressões estudadas, ainda assim as palavras falam à alma, como elas têm um certo poder de elevar os pensamentos na alma, por isso, aquelas palavras que falam de Deus da maneira mais elevada, e que mais plenamente expressam o poder e a presença de Deus, e que elevam pensamentos na alma mais adequados à grandeza e providência de Deus, são as mais úteis e mais edificantes em nossas orações. Quando você dirigir qualquer uma de suas petições para o nosso bendito Senhor, poderá usar algumas expressões deste tipo: Oh Salvador do mundo, Luz da luz, tu que és o brilho da Glória do Pai, e a expressa imagem da sua Pessoa; tu que és o Alfa e o Ômega, o Princípio e Fim de todas as coisas, tu que tens destruído o poder do diabo, e que tens vencido a morte, tu que és celebrado no Santo dos Santos, que estás à mão direita do Pai, que a estás acima de todos os tronos e principados, que intercede por todo o mundo, tu que és o juiz dos vivos e dos mortos, tu que virás depressa na tua Glória para recompensar todos os homens segundo as suas obras, seja tu a minha luz e a minha paz. Porque essas expressões, que descrevem tantos caracteres do nosso Salvador, sua natureza e poder não são apenas os próprios atos de adoração, mas, se forem repetidas com alguma atenção, encherão os nossos corações com os mais altos fervores da verdadeira devoção . Ainda, se você pedir alguma graça especial de nosso bendito Senhor, que seja de alguma maneira como esta: Oh santo Jesus, Filho do Deus Altíssimo, tu que foste açoitado, pendurado e pregado numa cruz, pelos pecados do mundo, una-me à tua cruz, e enche a minha alma com o teu santo, humilde e sofredor espírito. Oh Fonte de misericórdia, tu que salvaste o ladrão na cruz, salva-me da culpa de uma vida pecaminosa, tu que expulsaste sete demônios de Maria Madalena, expulsa do meu coração todos os maus pensamentos, e comportamentos maus . Oh Doador da vida, tu que ressuscitaste Lázaro de entre os mortos, levanta a minha alma da morte e da escuridão do pecado. Tu que deste a tua força aos apóstolos sobre os espíritos imundos, dá-me poder sobre meu próprio coração. Tu que apareceste a teus discípulos, quando as portas se fecharam, apareça no aposento secreto do meu coração. Tu que limpaste os leprosos, curaste os doentes, e deste vista aos cegos, limpa meu coração, cura as doenças da minha alma, e encha-me com a luz celestial. Agora esses tipos de apelos têm uma dupla vantagem: primeiro, como eles são muito apropriadamente atos de nossa fé, pelos quais não somente mostramos a nossa crença nos milagres de Cristo, como também os transformamos ao mesmo tempo em muitas instâncias de culto e adoração. Em segundo lugar, como eles fortalecem e aumentam a fé de nossas orações, ao apresentarem à nossa mente tantos casos daquele poder e bondade, que apelamos para a nossa própria assistência. Porque o que apela a Cristo, como quem tem o poder de expulsar demônios, e ressuscitar os mortos, então tem um motivo poderoso em sua mente para orar sinceramente, e depender fielmente da sua assistência. Mais uma vez, a fim de encher as suas orações com excelentes meios de devoção, pode ser de utilidade que você observe mais esta regra: Quando, em qualquer momento, quer na leitura da Escritura, ou de qualquer livro de Piedade, você se encontra com uma passagem, que mais do que o normal afeta a sua mente, e parece como se fosse dar ao seu coração um novo impulso em direção a Deus, você deve tentar transformá-lo numa forma de petição e, então, dar-lhe um lugar em suas orações. Por este meio você poderá, muitas vezes, melhorar suas orações e se equipar com formas apropriadas, para fazer os desejos do seu coração conhecidos diante de Deus. Em todas as horas determinadas de oração, será de grande benefício para você, ter algo fixo, e algo em liberdade, nas suas devoções. Você deve ter algum tema fixo, que deve ser constantemente o principal motivo de sua oração naquele momento em particular, e ainda ter liberdade para adicionar outras petições, como a sua condição pode então exigir. Por exemplo, como a parte da manhã é para você como o início de uma nova vida; assim como Deus então, lhe deu um novo regozijo em si mesmo, e uma renovada entrada para o mundo, é altamente adequado, que suas primeiras devoções sejam um louvor e ação de graças a Deus, por esta nova criação, e que você deve oferecer e dedicar corpo e alma, tudo o que você é, e tudo o que você tem, a seu serviço e glória. Receba, portanto, todos os dias, como uma ressurreição da morte, como uma nova apreciação da vida; receba cada sol nascente com tais sentimentos da bondade de Deus. Deixe, portanto, que o louvor e ação de graças, e a oferta de si mesmo para Deus, sejam sempre o assunto fixo e certo de sua primeira oração pela manhã, e então tome a liberdade de adicionar as outras devoções, como a diferença acidental de sua condição ou de seu coração, e tudo o mais que seja mais necessário e conveniente para você. Porque um dos maiores benefícios de devoção privada, consiste na adaptação de nossas orações a essas duas condições, relativas à diferença de nosso estado, e à diferença dos nossos corações. Por diferença do nosso estado, me refiro às mudanças de nossas condições externas, como doença, saúde, dores, perdas, decepções, problemas, misericórdias ou juízos de Deus, todos os tipos de bondades, lesões ou reprovações de outras pessoas. Agora, como estes são grandes partes do nosso estado de vida, como eles fazem grande diferença nele, mudando continuamente, por isso a nossa devoção será feita duplamente benéfica para nós, quando se destina a receber e santificar todas essas mudanças do nosso estado, e transformá-los numa aplicação mais especial a Deus. A próxima condição, para a qual devemos sempre adaptar algumas partes de nossas orações, é a diferença de nossos corações; em relação ao amor, alegria, paz, tranquilidade; doçura e aridez de espírito, ansiedade, descontentamento, inveja, ambição, tristeza e pensamentos desconsoladores, ressentimentos, e toda sorte de sentimentos e disposições impertinentes. Agora, como esses comportamentos, em razão da fraqueza de nossa natureza, terão sua sucessão mais ou menos, mesmo nas mentes piedosas, deste modo devemos fazer constantemente o estado atual do nosso coração, o motivo de alguma petição específica para Deus. Se estamos na calma prazerosa de doces e suaves sentimentos de amor e alegria em Deus, devemos, então, oferecer o tributo de ações de graça, pela posse de tanta felicidade, agradecendo e lhe reconhecendo como sendo o Doador de tudo isto. Se, por outro lado, nos sentimos sobrecarregados e oprimidos, com ansiedade de espírito e mal-estar, devemos então olhar para Deus em atos de humildade, confessando nossa indignidade, contando os nossos problemas a ele, rogando-lhe para diminuir o peso das nossas fraquezas, e para livrar-nos de tais sentimentos que se opõem à pureza e à perfeição de nossas almas. Agora, por observarmos isto, e atendermos ao estado atual de nossos corações, e adequando algumas de nossas petições exatamente à sua necessidade, devemos não somente estar bem familiarizados com os distúrbios de nossas almas, mas também ser bem exercitados no método de curá-los. Embora o espírito de devoção seja dom de Deus, e não atingível por qualquer mero poder propriamente nosso, todavia é principalmente dado e nunca retido, para aqueles que por um uso sábio e diligente uso de meios adequados, se preparam para a recepção do mesmo. E é incrível ver, quão ansiosamente os homens empregam a sua sagacidade, tempo, estudo, aplicação e exercício; quando alguma coisa se destina a atender suas intenções e desejos em assuntos mundanos, e quão negligentemente e tão pouco eles usam sua sagacidade e habilidades, para elevar e aumentar a sua devoção! Para corrigir esse comportamento, e encher um homem com um espírito bastante contrário a isto, não parece haver nada mais necessário, do que a nua fé da verdade do cristianismo. Para concluir este capítulo, Devoção nada mais é do que certas apreensões e afeições corretas para com Deus. Todas as práticas, portanto, que aumentam e melhoram as nossas verdadeiras apreensões de Deus, todas as formas de vida que tendem a nutrir, levantar, e corrigir nossas afeições sobre ele, devem ser contadas como meios de ajuda para nos encher de devoção. Como a oração é o combustível adequado desta chama sagrada, por isso devemos usar todo o nosso cuidado e artifício para dar à oração todo o seu poder, como por esmolas, abnegação, retiros, e as leituras sagradas, e observando horas de oração; mudando, improvisando, e adequando nossas devoções à condição de nossa vida, e ao estado dos nossos corações. Aqueles que têm mais tempo livre, parecem ser mais especialmente chamados a uma observância mais eminente dessas regras sagradas de uma vida devota. E aqueles que pela necessidade de seu estado, e não através de sua própria escolha, que têm pouco tempo para empregar na devoção, devem fazer por esta razão, o melhor uso do pouco que têm. Pois este é o caminho certo de fazer a devoção produzir uma vida devota. Tradução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, do décimo quinto capítulo do livro de William Law, em domínio público, intitulado Uma Chamada Séria a Uma Vida Santa e Devota. William Law, foi professor e mentor por vários anos de John e Charles Wesley, George Whitefield – principais atores do grande avivamento do século XVIII, que se espalhou por todo o mundo - Henry Venn, Thomas Scott e Thomas Adam, entre outros, que foram profundamente afetados por sua vida consagrada a Deus, e sobretudo pelo conteúdo deste livro.

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